Eu também quero sonhar com lírios! — Mais uma tentativa
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Mais uma tentativa

Por MooLucio 7 min 18 Mar, 2026

Era a manhã seguinte. Na noite anterior, Emili tinha perguntado a Yuri se ele estava livre para se encontrarem hoje.

Era segunda-feira e, como o check-in sempre desacelerava depois do fim de semana, Felipe tinha concordado em dar o dia de folga para Yuri em troca de ele trabalhar na sexta. E assim, Yuri finalmente tinha tempo para encontrar Emili na praia do resort.

— Então você realmente estava preso no trabalho — Emili murmurou para si mesma, assentindo devagar enquanto Yuri terminava de explicar o caos da noite passada.

Eles já caminhavam e conversavam há alguns minutos, seguindo a faixa de areia firme perto da linha d'água, antes que o sol subisse alto o suficiente para eles serem torrados vivos.

Emili usava um biquíni amarelo por baixo de uma camisa branca meio desabotoada, um chapéu de palha inclinado na cabeça, chinelos pendurados nas mãos enquanto ela caminha descalça sentindo a areia quente entre os dedos dos pés.

— Foi mal. Eu devia ter mandado pelo menos uma mensagem — Yuri admitiu, sapatos na mão exatamente como ela, caminhando ao lado.

— Tudo bem — Emili sorriu, e uma onda discreta de alívio suavizou sua expressão. — Sinceramente... eu fico aliviada.

Isso chamou a atenção de Yuri.

— Achei que você pudesse estar deprimido, sabe... pensando no acidente o tempo todo — ela continuou, a voz mais suave agora. — Ou se punindo, tentando evitar se divertir.

— Ah. Não, foi realmente só trabalho — Yuri a tranquilizou, oferecendo um sorriso pequeno e tímido.

— Então vamos tentar de novo. — Emili parou de andar e se virou para o encarar diretamente. — Você tem que ajudar sua amiga de novo hoje à noite?

— Hã? Não... acho que não — Yuri parou, pensando um pouco.

— Tenho ensaio no teatro municipal à tarde. Que tal a gente sair depois que eu terminar? — Emili perguntou, com um sorriso luminoso e esperançoso voltando ao rosto dela.

Yuri não esperava que ela fosse tão compreensiva, tão disposta a continuar tentando. A percepção o atingiu como um empurrãozinho sutil.

— Claro — ele respondeu, um sorriso verdadeiro surgindo, reacendendo seus olhos. — Que horas?

"Hah... hah... hah..."

De repente, uma respiração pesada e ofegante veio rápido por trás.

— O–... Ai meu Deus... — Era Ana, encharcada de suor, top esportivo branco e short vermelho de corrida, viseira de sol meio torta. Parecia que tinha acabado de correr metade do litoral. — Oi! — ela finalmente conseguiu dizer, ofegante.

Tentou sorrir enquanto estava curvada, mãos apoiadas nos joelhos.

— E aí, Ana. Treinando pra triatlo agora? — Yuri provocou, com um sorrisinho.

— Só cuidando da mercadoria nova! — Ana piscou, apontando o polegar para a cicatriz fresca no peito.

Emili deu uma olhada rápida e aguda em Ana antes de ligar o rosto ao nome.

— Ana? — O rosto de Emili se iluminou na hora. Ela estendeu a mão com um sorriso caloroso. — Oi! O Yuri literalmente estava falando de você agora há pouco.

Ana se endireitou, trocando o sorrisinho provocador por um grande e confiante. Apertou a mão de Emili com firmeza, depois se inclinou para o beijinho rápido na bochecha.

— Ele falou algo bom? Se falou, era mentira — Ana rebateu, mantendo a energia brincalhona. — Você é a Emili, né? Ele me falou de você também.

— Nossa. Acho que dispensa apresentações — Yuri interrompeu, rindo. — Já que vocês duas decidiram que eu sou o maior fofoqueiro do mundo.

Os três caíram na gargalhada juntos.

Ana decidiu que aquela era a brecha perfeita para tocar na ferida.

— Entãooo... o que o casalzinho está aprontando? Só curtindo um tempinho de qualidade na praia? — perguntou, a voz pingando falsa inocência.

Yuri congelou na hora. Os olhos dele se arregalaram em puro pânico.

"Que porra essa, Ana?!", Ele gritou em pensamento.

— Eu só chamei ele pra conversar um pouco. Achei que ele precisava de uma pausa da recepção — Emili respondeu com naturalidade, soltando uma risadinha leve.

"Graças a Deus ela não se ligou", Yuri suspirou internamente.

— Tenho certeza que ele precisava mesmo — Ana concordou, e então o smartwatch dela apitou. — Ops, um segundo. — Ela olhou a tela. — Ah, é minha mãe. Tenho que ir!

Ela puxou Emili para um abraço rápido, o que a pegou um pouco desprevenida.

— Foi muito legal te conhecer, Emili! A gente se vê por aí! — Ana disse animada.

— Aproveita bem a segunda de folga~ ♫ — cantarolou para Yuri com um último tom provocador, já virando em direção à trilha de volta ao resort.

Yuri ficou olhando, balançando a cabeça, ainda levemente traumatizado.

— Ela é... energética, né? — Emili comentou, se virando novamente para ele com um sorrisinho divertido.

— É. Essa é a Ana — Yuri respondeu, o calor ainda presente na expressão enquanto encarava Emili de novo. — Então... hoje à noite?

— Isso. O ensaio termina às seis. Que tal a gente se encontrar na praça da cidade por volta das seis e meia? — Emili sugeriu, o entusiasmo voltando a sua voz.

— Perfeito. Seis e meia então — Yuri confirmou.

Eles passam mais um tempo sentados na areia, conversando enquanto o sol subia mais alto. Depois seguiram pela trilha sombreada de volta e, após uma caminhada curta, chegaram à pequena ponte que atravessava o rio até o hostel e os bangalôs.

Emili parou ali.

— Te vejo hoje à noite — disse, ajustando o chapéu de palha com um sorrisinho.

Eles trocaram um abraço rápido. Depois Emili seguiu em direção à fileira de bangalôs escondidos entre as árvores.

Yuri ficou olhando ela ir por um momento antes de seguir para a recepção. Deu uma checada rápida com Felipe, confirmou que estava tudo sob controle e, de lá, caminhou a distância curta até a casa dos pais.

O resto do dia passou rápido. Ele trocou de roupa, regou o botão de lírio que Ana tinha dado, arrumou um pouco a casa e desabou para uma soneca muito necessária, já que não tinha dormido direito nas duas noites passadas.

A tarde foi calma, mas cheia de expectativa. Ele ficava olhando o relógio, determinado a não se atrasar.

Por volta das cinco se arrumou: banho, camiseta branca nova, jeans leve. Simples e confortável.

Checou o celular uma última vez. 17:45. Tempo de sobra para caminhar até a praça sem pressa.

Vinte minutos depois, Emili tinha acabado de sair do ensaio. Estava passeando no meio da multidão de turistas perto das barracas da feira quando ouviu o nome.

"Emili!"

Yuri acenou perto da fonte central.

O rosto dela se iluminou na hora. Ela se enfiou entre as pessoas até chegar nele.

— Oi! — disse, radiante. — Ta esperando há muito tempo?

— Nada, cheguei agorinha — Yuri respondeu, dando um abraço rápido.

— Ainda bem. Eu ainda mal sei me achar por aqui — ela riu, olhando feliz ao redor da praça.

— Sorte sua que tem o especialista local — Yuri disse com um aceno brincalhão.

— Perfeito! Puxa o carro, especialista. E por favor, pra algum lugar que tenha comida. Tô morrendo de fome!

Enquanto começavam a andar, Yuri apontou para o palco temporário montado na praça.

— Como foi o ensaio? Tudo encaminhado pro grande dia?

Emili soltou um suspiro pequeno, um lampejo de nervosismo cruzando o rosto.

— Foi bom. Elenco muito bom mesmo. Mas... ainda tô meio nervosa. Primeiro papel grande fora do teatro universitário, sabe?

— Vai dar tudo certo. — Yuri disse com sinceridade. — Todo mundo só elogia o quanto você foi bem nas peças do campus.

Isso o lembrou de algo.

— A propósito... você veio sozinha? Ainda não vi seus pais no resort.

— É, só eu. Eles ainda estão na Inglaterra trabalhando — Emili balançou a cabeça levemente.

— Não vão conseguir voltar a tempo? — Yuri perguntou com cuidado.

— Não. Provavelmente só em fevereiro — ela respondeu, tranquila.

Yuri já estava acostumado. Os pais de Emili viviam sendo mandados para fora pela agência de marketing.

— Mas você vai estar lá, né? — Emili perguntou, a voz suavizando, os olhos cheios de esperança. — Saber que você tá assistindo ia me ajudar muito.

— Claro — Yuri respondeu na hora. — Não perderia por nada.

A expressão dela se iluminou inteira com isso.

Eles acabaram encontrando uma lanchonete pequena, escondido numa ruazinha. Lotado de gente, mas a mesinha no canto deles parecia bastante reservada.

Pegaram os cardápios plastificados e começaram a olhar.

— Falando em pais, tenho que elogiar os seus — Emili disse, largando o cardápio. — O resort é incrível. Tô adorando, mesmo com todas as horas de ensaio.

Yuri sorriu, satisfeito.

— Valeu. Vou passar o recado — disse, tomando um gole d'água. — Você devia experimentar algumas das atividades quando não estiver ensaiando.

— Esse é o plano — Emili sorriu, os olhos brilhando. — Me inscrevi no passeio de canoa amanhã de manhã.

Yuri riu, pego de surpresa.

— Sério? Legal. Vai ser divertido de assistir.

— Assistir? — Emili se inclinou para frente, curiosa. — Por quê?

— Porque amanhã de manhã eu vou ajudar o Digão nos passeios de canoa— Yuri respondeu, com um sorrisinho.

O sorriso de Emili ficou ainda mais animado.

— Então... parece que eu finalmente vou conseguir passar um tempo de verdade de férias com meu melhor amigo, afinal.

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